Se alguém está em Cristo, nova criatura é (2 Coríntios 5:17)

           Desde a antiguidade, os grandes pensadores da humanidade já se questionavam sobre o Ser; permaneceria sempre o mesmo ou mudaria com o tempo? Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático nascido na cidade onde o apóstolo Paulo pregou o Evangelho de Cristo séculos depois, é famoso por afirmar que um homem nunca pode entrar duas vezes no mesmo rio, porque mesmo após um instante, ele já não será mais o mesmo. Nunca será possível novamente ser banhado pelas mesmas águas, nas mesmas condições. Assim, para Heráclito apesar de haver um rio, ele não é mais o mesmo, pois Ser um rio é deixar de ser, para ser outro ainda diferente.

            Outro pensador, Parmênides é considerado o fundador da escola de pensamento de Eleia, colônia grega que ficava no litoral da região da Campânia, no sul da Itália. Para alguns estudiosos, ele teria sido discípulo do pitagórico Amínia. Outros (entre os quais Platão e Aristóteles) consideram-no um seguidor do pensamento de Xenófanes. Ele propôs que tudo o que existe é eterno, imutável, indestrutível, indivisível e, portanto, imóvel.

            Como tentar conciliar então estas assertivas opostas? O Ser muda, ou permanece o mesmo para sempre? Existe sem dúvida, algo que permanece. É a identidade do Ser, aqui na vida material damos um nome às pessoas e quando nos referimos a ele, estamos a falar desta coisa que é sempre a mesma. Por exemplo, quando dizemos Pedro, apesar de ser um Espírito, é sempre o mesmo.

            Entretanto, a doutrina cristã sugere que para este Ser continuar sendo o mesmo, ele precisa mesmo negar a si. E é justamente isto que fazemos desde a primeira idade. Negamos a condição fetal para que haja o nascimento, negamos infância para assumirmos a vida adulta, negamos a jovialidade para assumir a experiência dos anos e por fim, negamos o corpo material para afirmarmos o que será o Espírito.

            Paulo é brilhante em sua colocação, muitos ainda entendem que viver em Cristo implica em uma conversão, o mesmo que uma negação da vida que se tinha anteriormente. Nega-se valores vãos, nega-se uma metafísica que não podia explicar o real. Certamente que neste sentido, quando se vive em Cristo, lúcidos da responsabilidade que carregamos, jubilosos pela alegria de estar em Sua presença, é como se tivéssemos renascido, em um novo corpo, uma nova criatura enfim.

            E não se trata somente de uma conversão imediata, ser homem novo é mudar a cada dia, reformar-se nos íntimos valores, sem uma perspectiva de um fim. Digamos que eu afirmasse que daqui a certa quantidade de anos eu já estaria reformado dentro de minhas necessidades. Isto seria como o anticristo, sem uma conotação pejorativa, mas colocando como a negação da necessidade de se negar. Quando se está em Cristo, a mudança é para sempre, como um desabrochar no infinito. Justamente não se contentar com o finito, é estar em Cristo. É preciso sempre evoluir, cortar os campos, lapidar toda e qualquer impossibilidade para ascendermos neste amor, causa de todos nós.

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