O culto exterior – práticas e rituais religiosos

Todas as religiões buscam uma forma de se conectar com Deus. E além desta característica em comum, possuem outra, que aliás parece estar contida na própria definição religiosa. Este contato com o ser divino, acredita-se ser possível através das mesmas percepções dadas pelos órgãos dos sentidos. Procura-se Deus em carne, mas não o encontram, procura-se Deus através de alguma forma física, mas isto também não é possível. Portanto, o que está em jogo é uma tentativa frustrada de se encontrar a divindade materializada.

Deus por ser Eterno, sem começo e sem fim, ilimitado e além das relações do espaço e do tempo não poderia manifestar-se como que em um corpo (objeto limitado) ou se sentido lisonjeado por receber, por exemplo, uma oferenda. As práticas exteriores, de certa forma contextualizam uma determinada cultura, assim distingue-se a tradição judaica, da islâmica e do candomblé; mas além desta representação, pouco podem fazer para realmente aproximar o homem de Deus.

Jesus quando fala a respeito dos fariseus que gostavam de aparecer rezando nas praças públicas e de ocuparem os primeiros assentos nas sinagogas, dá um exemplo inequívoco da ineficácia de qualquer ritual para uma efetiva transformação espiritual. Não foram estes mesmos doutores da lei que se vestiam das aparências religiosas e que ocultamente violentavam sexualmente as viúvas em seus lares?

Cabe também relembrar a antiga prática da Igreja Católica no tempo da Idade Média e refutada por Martinho Lutero, líder do protestantismo alemão; tratam-se das indulgências, uma forma institucionalizada de se ter o perdão divino pelos pecados praticados através do pagamento de certa quantia em espécie. Apesar de ser um dogma, sabemos que tal imposição nada podia realizar na transformação interior de cada indivíduo.

Há um postulado muito importante na história da Filosofia Moderna, na qual as substâncias (no caso, o Espírito) por definição não podem ser afetadas por nada externo, mas apenas por princípios em seu interior. Um exemplo bem prático de que esta afirmação é verdadeira se dá quando se oferece determinado alimento a alguém. Alguns podem acha-lo muito saboroso, outros entretanto, podem não suportar a degustação. O alimento é o mesmo, com as mesmas propriedades, mas a experiência e seus efeitos são dados unicamente pelas conjunções inerentes a cada um.

De forma análoga, nossa busca pelo divino é corroborada pelos ensinamentos do Cristo, que nos dá a lucidez de compreender que não há nada exterior que venha a transformar o que somos, nossas convicções, potências e ações. A relação com o mundo em sua totalidade se dá pela razão, pois não há nada que a ela possa escapar. E numa sequencia de silogismos, podemos inferir que também não há nada mais racional do que se vestir do amor incondicional no qual Deus nos presenteia e que simultaneamente nos pertence, para sermos sua imagem e semelhança. Diante das aparências exteriores, somente a caridade em contrapartida pode ser o caminho para o conhecimento de Deus em si mesmo. Somente um esforço refletido em si é capaz de tal proeza e justo que seja assim, pois o Reino está dentro e não fora.

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